Inovação…. arruinando a Festa!!!

Tudo mundo fala sobre Inovação… Então também posso…

—————————-

 

A INOVAÇÃO DISRUPTIVA POR QUEM REALMENTE ENTENDE DAS COISAS…

O LUCAS!

Já era bastante tarde. Eu com aquelas mil coisas que vem à cabeça num momento que deveria ser de higiene mental…

Luz apagada, quando percebo a porta abrindo devagarinho… Pelo tamanhinho da mão que a movia, sabia quem era…

Fechei os olhos rapidamente, fingindo sono profundo!

Ele encostou-a cuidadosamente, andou pé-sobre-pé, subiu na cama e se aproximou bem do meu rosto, olhando fixamente.

Sentindo o ventinho que ele expirava, deixei escapar um pouco de sorriso e ele:

– Amigão? Você está acordado?

– Sim, amigão…

– Fazendo o que?

– Pensando…

– No que?

– Nas coisas que vou Inventar… Mobilidade, Segurança Infantil, Manufatura Digital, Rastreabilidade…

– Hummm… não sei bem o que é isto, amigão!!! Mas eu sei o que queria inventar!!!

– O que?

– Uma galinha que coloca Kinder Ovo…

– Eu não poderia desejar coisa melhor… Você me dá uma?

– Sim! Posso dormir só um pouquinho aqui?

– Só se me der 10 beijos de boa noite…

O Lucas tem a chave da minha disrupção!!!

#oreiestanu

——————

 

99.001 Dicas sobre inovação – disrupção

Pessoalmente, penso ser desnecessário o termo Inovação disruptiva, tratando-se quase de um pleonasmo vicioso, e viciante, dada a quantidade de referências ao termo.

Lembram do pleonasmo? Subir para cima, entrar para dentro, ter uma surpresa inesperada.

Se não desejássemos pôr o conceito de inovação em embalagem tão bonita, poderíamos utilizar tão somente inovação, simples assim e suficiente em si.

Acontece que gastamos tanto a palavra inovação, especialmente com coisas que não passam de melhorias, incrementos, que foi necessário revesti-la com uma grossa camada de ouro para dar seu devido valor.

E por falar nisto, a “Sustaining Innovation” é a nossa boa e velha melhoria incremental (pleonasmo…), mas ninguém quer ser consultor de melhoria incremental. Porém o termo é claro e também, suficiente em si!

Voltando ao termo inovação disruptiva, creio o próprio termo disruptivo ser também estranho, algo como “fiz uma volta de 360º em minha vida”, uma vez que:

Dis (contra, anti, afastamento, negação) + ruptiva (ruptura) = contra-ruptura… Mas esta é só por aporrinhamento meu mesmo…

Só estou dizendo aos leigos, nesta primeira dica das 99.001 que escreverei, para não se preocuparem tanto em criar um glossário.

#oreiestanu

——————-

 

Inovação: estragando a festa!

Gostaria que não fosse assim, mas inovação não é esta festa da alegria, com pessoas descendo pelo escorregador, jogando tênis de mesa e definida por quem nunca vivenciou um processo sequer de Inovação.

Refiro-me a ter que inovar para se manter líder mundial, como requisito para sobreviver. Inovação como um processo completo, do insight até o produto na casa do consumidor. Inovação, que no mínimo, exigirá:

. Estreito planejamento e footprint para 20 anos;

. Mapear continuamente o estado da arte /concorrente;

. Validar a proposta, e se não matará alguém em todos os modos de falhas;

. Adequação a legislação para cada país e aos requisitos de Safety, com sanções que quebrarão a empresa;

. Pessoas, tempo e dinheiro limitados e insuficientes;

. Escrever, traduzir e gerenciar depósitos de patentes gigantescos;

. Bancar brigas jurídicas homéricas;

. Sistema, controle, pressão, opção e decisão;

– Exige… (to be continued)

O insight no chuveiro é romântico, mas o que rola são brainstormings intermináveis, com muita “pauleira” e o prazo batendo na porta!

Essa é minha concepção de Inovação, após 21 anos de P&D numa empresa brasileira, 2ª. maior geradora de patentes, líder mundial, com o produto mais eficiente do mundo, no meio de concorrentes colossais .

#oreiestanu

——————————

 

Inovação com escala de trabalho 24×7…    Ainda estragando a festa!

 Compartilho aqui umas das situações mais emblemáticas do processo de criação (e que tendem a não constar nos cursos de inovação a distância):

Estava subindo as escadarias para mais um dia de trabalho quando encontro um amigo descendo, voltando para casa. Isto era 8h da manhã… De domingo!

Trocamos rápidas palavras, cada um do lado da escadaria e no último lance ele me chama:

– Márcio, que dia da semana é hoje?

Claro que havia uma licença poética pelo horário que se deu, mas esta situação é (também) bastante emblemática de quem se propõem a inovar.

Limite de horário é luxo! Seus esforços têm que ser acima da média, do que está se fazendo. Um dia a mais de trabalho, um dia a menos de trabalho!

O que você já faz, a concorrência já mapeou, copiou ou melhorou.

O que você entrega não servirá ao cliente daqui a cinco anos, considerando, por exemplo, a legislação de eficiência energética.

Chega a ser surreal, mas já estamos atrasados com produtos que sequer foram lançados!

Infindáveis testes, combinações, análises. 1.000 produtos testados: 999 OK, 01 não OK! De volta para a prancheta!

Não dá para inovar parando às 17h30!

E o que é pior, ou melhor, na verdade, você não quer parar!

#oreiestanu

—————————–

 

Por que não me falou antes?!

Há cinco anos iniciei meu próprio negócio. Lamento profundamente, por naquela ocasião, não dispor das dicas de não-empreendedores para empreendedores:

. Trabalhar muito;

. Ter uma boa equipe;

. Respeitar a todos;

. Cuidar do cliente;

. Ter um preço justo;

. Ser ético;

. Ser criativo;

. Trabalhar muito (já foi?);

. Aprender com os erros;

. Não desistir;

. Ir à luta;

. Levantar quando cair…

. Acordar cedo (mesmo se o empreendimento for uma boate?)

É sempre bom ter esta visão diferenciada das coisas, com insights tão valiosos, vai me ajudar muito daqui para frente!

#oreiestanu

————–XX————-

Inovação: estragando a Festa!

** Inovar não é, necessariamente, tão simples!!!**

———————-

Cabungos X Tecnologias

Existia até poucas décadas atrás, provavelmente seus pais a vivenciaram, uma indústria bem estabelecida e muito necessária. Tratava-se dos cabungueiros, ou, não suavemente, carregadores de fezes.

Os cabungueiros passavam de casa em casa, substituindo os cabungos (cubos) de suas latrinas, mesmo que você estivesse “obrando” naquele momento. Levavam-nos carregados e os traziam limpos, com cheiro de creolina.

Semanalmente ocorria este trabalho, com o caminhão dos cabungos apontando na esquina, aos gritos de “Olha o caminhão da merda!”, e todos correndo para dentro de suas casas, fechando portas e janelas para escapar da onda fétida que tomava a rua.

E tal serviço gerava um grande número de empregos: cabungueiros, transportadores, tratadores, fabricantes , marceneiros, fornecedores, etc. Indispensável!

Mas eis que vem esta tal da tecnologia, forjada por mentes brilhantes e espíritos inquietos, e dos cabungos passamos aos nossos límpidos vasos sanitários!

E cabungueiros não mais precisavam lidar com nossos excrementos.

Então, por quê, como cabungueiros modernos, amaldiçoamos a viabilidade e a legalidade das novas tecnologias enquanto continuamos a carregar nas costas caixas de pura merda da ignorância, corporativismo e insensatez?

 

#oreiestanu

————————————–