The Walking Daddy…

** Posts inspirados por um alemãozinho de 6 anos…  há ainda uma centelha de humanidade nas veias… ***

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A TIRANIA DA EXTROVERSÃO!

Duro aceitar, mas meu pequeno Lucas será um fracassado profissionalmente. E, talvez, socialmente!

A persistir as regras do que seja um bom profissional atualmente, sim.

Começará por reprovar nos processos de contratações: Ele é tímido, introvertido, calado, quieto, detesta dinâmicas em grupo…

Não despertará atenção em Programas de Trainee ao não ir às lágrimas com o Projeto de Vasinhos de Plantas feitos com bulbo de lâmpada queimada.

Seguirá, se alguém com piedade lhe der um espaço na empresa do pai de um conhecido, nos trabalhos em Time e reuniões de Projeto: Ele não ri sem necessidade nem assumirá a frente de algo entusiasmadamente. Ele o fará se o Líder nato se mostrar um grande imbecil …

Depois se estenderá por ser pouco flexível e muito pragmáticos com as pessoas com gaps de performance nos processos de avaliações, enquanto ele entende que isto seja apenas e tão somente incompetência! Aplica-se a regra!

Selará seu destino ao não rir de uma piada do Diretor-Presidente e lacrará seu caixão ao não ir na Festa da Empresa.

Sobrará algo erudito como Maestro, Crítico de cinema, Escritor e então eu terei que pagar o Plano de saúde de meus netos.

Lucas, com seus 6 anos, tem pouco tempo para aprender a sorrir e acenar, cinicamente …

#oreiestanu

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07:30 da manhã…   Perdi o horário , que na verdade nunca soube onde está!

Mas eu tinha que levar o Lucas para escola (lembram do Lucas, 6 anos, cabelos amarelinhos… Este mesmo).

Fui acordá-lo chamando bem de mansinho no seu ouvido, para que desse tempo da espiritozinho dele retornar. Sem abrir os olhos, ele sorriu, passou sua mão quentinha no meu pescoço e me trouxe para pertinho do seu rosto.

Puxei a coberta sobre nós dois, desliguei o celular, e deitei ao seu lado:

– Eu tive um sonho, papai , ele sussurrou!

– Hummm..  Eu também!

– Mas o meu era de binossauro!

– Não acredito, o meu também…

– Como era o seu binossauro?

– Lindo, amarelo, banguelinha, com manchas roxas e orelhas de chocolate…

– Igual o meu, ele tinha pescoço gigante de girafa?

– Claro, quer saber, era o mesmo, você subiu nele?

– Sim, subi, bem alto!

– Eu estava junto.

– É mesmo estava… Deu para ver todos os números, que são infinitos né papai?

– Sim, claro

– E a letra H, que é uma danadinha, mas é a que eu mais gosto, porque ela tenta se disfarçar de outros sons…

…E foi caindo no sono novamente!

Recuperei os meus compromissos atrasados ao longo do dia. Nunca recuperaria este momento com o Lucas! Estou perdoado?

#oreiestanu

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HORA DE SEPARAR ADULTOS DE CRIANÇAS…  E ESCOLHER AS CRIANÇAS!

Costumo brincar com o Lucas sobre uma nuvem que paira exatamente sobre o nosso carro, mesmo num dia de céu de brigadeiro.

Em seu momento de maior dúvida, aciono o limpador do carro e a magia da chuva particular ocorre… é lindo ver seu espanto pelo retrovisor!!!

Isto já vem a algum tempo! E o surpreendente, sempre se repete!!! Até o dia que fiz esta brincadeira com o pragmático e sensato Vini estando conosco.

Ele até deu um tempo para ver se explicávamos a brincadeira e na ausência da mesma, tratou de desvendar o segredo:

– Luquinhas, é um sistema que tem no carro para… e explicou tudo! Como o que o Vini diz é sagrado não houve contestação, só um:

– Hummm…

Então perguntei:

– Lucas, entendeu?

– Sim!!!

– E o que você acha, agora que conhece a verdade?

– Acho bom! Mas é chato… preferia a chuvinha…

 

Eu sou uma criança. Não quero a verdade! Quero a fantasia! Também prefiro a chuvinha!

#oreiestanu

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UM DOMINGO NO PARQUE COM O LUCAS, PARA SONHAR!!!

Parece não haver nada que demova o Lucas de ser jogador de futebol.

E ele, no auge de sua maturidade e experiência aos 6 anos, enquanto brincava com sua inseparável bola amiga, perguntou-me se poderá ser como seu ídolo.

– Sim, claro. Se é seu sonho…

– É meu sonho sim, papai. E o seu sonho quando tinha minha idade, qual era, papai?

Poucas perguntas me fizeram parar e refletir tão profundamente nos últimos anos…

Demorei a responder não por não recordá-los, tenho todos eles bem guardados em nobre área de minha mente, mas sobre como eu responderia as perguntas que certamente viriam a seguir.

– Bom, meu primeiro sonho era ser motorista de ambulância, ou de caminhão de bombeiro…

– Uau, que irado!!! Tem mais sonhos?

– Sim, depois desenhista de revista em quadrinhos… de heróis!

– Meeeu, por isto você desenha bem hein papai, ahhh descobri!

– Sabia que eu tinha meus próprios heróis? Speixer, Super-nova…

– Nossa! O que mais?

– E por fim escritor…

– Mas você nunca sonhou “de fazer” máquinas? Que é o que você faz, né papai?

– Não, nunca sonhei com isto…

– Por que que as pessoas não fazem o que sonham, papai?

Poucas perguntas me fizeram…   Ainda não o respondi,  mas com o Lucas, sempre sonhei!

#oreiestanu

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pausa para o intervalo do coffee-break!!!

** textos que eu não sei que categoria encaixar, mas precisava dizer…**

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Minha mediocridade não tem limites!

Egocêntrico, centralizador, desumano, intolerante, titubeante, hipócrita,mal educado, mau caráter…

Certamente nenhum deles constaria em CV algum. Ou você, com sua performance outstand e comportamento ilibado, revelaria estes segredos tão profundos? Não.

Só vamos torcer para que percebam a incompetência dos outros antes.

Inimaginável então manchar a biografia de um líder com tais aberrações, certo? Pois bem, saibam que, Jobs, Ford, Einstein, Mandela, Julio Cesar, Gengis Khan, Martin Lutero, Lincoln, João Paulo II, Churchill, Ghandi, Napoleão, Homer Simpson, Merkel… Já foram tachados assim.

Mesmo com toda esta “humanidade torta”, os caras deixaram de fazer o que fizeram, ou pior (ou melhor?):

E se fizeram justo por também serem assim? Gosto de pensar desta segunda forma, pois sobra a esperança de ainda deixar algum legado…

Gostamos de criar mitos e adorá-los. Olhamos a história de trás para frente e dissemos: “Nossa, esse cara é um gênio, graças as suas habilidades de liderança, gestão, empatia, trabalho em time, blá blá blá criou isto”.

Não! Ele fez a coisa primeiro e somente depois é que nós concebemos nossas análises e fabricamos nossos heróis, moldados aos nossos imensos medos , auto-sabotagens e irreais limitações.

#oreiestanu

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EU ADORO AS TOLICES. PRINCIPALMENTE, AS MUITO TOLAS!

Tem coisas que de tão repetidas, numa intenção inicial de se apresentar como um domínio absurdo de assunto, chegam a ser constrangedoramente irritantes. E por fim, divertidas!

A história da origem da feijoada, por exemplo! Basta se iniciar uma conversa que se provou uma bela pratada da irrecusável iguaria para que alguém já trate logo de colocar:

“Até porque a feijoada era a comida dos escravos, que pegavam as sobras do porco e blá blá blá…”

Outra que irritantemente me diverte é a história da Muralha da China. Bastou dizer que esteve em Beijing para que alguém, sem pestanejar, já exponha seu conhecimento profundo:

“Inclusive, é a única obra do homem que pode ver vista do espaço e blá blá blá…”

Eu não sei se se tratam de mitos ou verdades. E para ser sincero, nem me interessa mais.

O que me diverte neste duelo de sabedorias ecléticas é:

. a naturalidade com que se expõem;

. a convicção sobre o que não se conhece;

. a indiferença para o fato de que alguém já poderia “saber” mais disto;

. e a crença férrea de que está trazendo um fato novo!

Sobre utilizarmos apenas 10% do cérebro, começo a acreditar que possa ser verdade… com casos reais!!!

#oreiestanu

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Minha bucólica e colonial Joinville está em festa!

Inicia-se hoje nosso tradicional e consagrado Festival de Dança. E com isto, nossa também tradicional aparição no Fantástico pela segunda e última vez no ano (a primeira se refere às inundações de março).

Mas voltando ao evento cultural, não víamos a hora desse momento chegar e com ele, alguns hábitos pitorescos:

. 90 minutos aguardando por uma pizza, após aguardar 45 minutos para entrar na pizzaria;

. Pizza de atum sem cebola, com cebola;

. Escadas rolantes de shopping bloqueadas por um mar de gente tentando assistir a alguns espetáculos gratuitos;

. Trânsito caótico pelos desvios de acesso;

. Milhares de saltos em frente a Escola do Ballet Bolshoi, até que a foto fique boa, enquanto você aguarda na calçada, para não atrapalhá-los;

. Reações alérgicas violentas devido aos pesados casacos dos dançarinos que só o utilizam uma vez ao ano;

. Coreografias não tão sincronizadas, a ponto de acharmos que alguém está de castigo;

. Muitos chicletes grudados na sola dos sapatos e só com laser para arrancá-los;

. Oportunidade única para que eu possa confirmar que realmente estou gordo “pra caramba”, no meio de tanta gente elegante;

. Velhos ranzinzas reclamando no In.

Mas quem liga? Willkommen in Joinville!

#oreiestanu

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